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Olhar o Horizonte...

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Cancro da mama aos 34 anos - "Isto é para vencer"


Olhar o Horizonte...

14.11.18

Quem olha para mim, diz não acreditar que tenho 34 anos, e gosto de ouvir as pessoas dizer isso; quer dizer que estou muito bem conservada. :) Para além do mais não sou pessoa de usar maquilhagem; gosto de ter um aspeto natural (o máximo que às vezes uso é rimel e lápis nos olhos).

 

Nos primeiros dias de julho, deste ano, pensei em fazer a apalpação nas mamas, já que na minha família há muitos casos de cancro, sendo que da mama apenas 1, em que  minha prima morreu, ainda para mais no dia do meu aniversário, exatamente à hora que nasci! Fez no dia 22 de julho, 2 anos!

Durante a apalpação encontro um "caroço" pequeno na mama direita, e decido ir fazer ecografia mamária.

Antes de mostrar à médica, no centro de saúde, vamos primeiro a uma enfermeira, que me disse que aquilo não seria nada, e que possivelmente estaria a fazer uma tempestade num copo de água, e que por não me doer não quereria dizer que seria algo de mau. Acrescentou que de certeza que o "caroço" seria um quisto, como ela tinha; nada de especial!

Alerto os profissionais para esta má conduta! Nunca diga que não é nada, sem ter certezas! Caso encontre esta enfermeira vou alertá-la para isso mesmo!

A médica, felizmente, foi cautelosa e encaminhou-me para a especialidade de Senologia no Hospital Distrital de Santarém. Na primeira consulta da especialidade, a Dra. explicou-me tudo detalhadamente, e mandou-me ir fazer a biopsia ao que tinha na mama.

Desde já destacar esta médica, que tem sido extraordinária não só em se preocupar com o meu bem-estar, mas sobretudo por me explicar sempre tudo na perfeição.

Na altura perguntei-lhe que se fosse benigno, se passaria logo pelo retirar; ao que foi cautelosa e disse que após a biopsia falaríamos, pois só depois dos resultados é que se decidiria o que fazer.

Na biópsia, que correu bem, o médico no final desejou-me "boa sorte", o que me fez ficar com um pé atrás, mas que confesso que me mentalisava de que seria benigno na mesma; tive sempre essa esperança, mesmo a dada altura me aperceber que não o seria. Sobretudo quando me aparece uma macha roxa na mama!

Na primeira semana de outubro vou para os Açores, e no regresso, a 11 de outubro ligam-me do hospital e solicitam que levo acompanhante para a consulta no dia seguinte (12 de outubro). Apercebi-me de imediato que a notícia não seria boa, já que solicitavam que levasse acompanhante. As lágrimas começaram a cair-me, e chorei muito neste dia, mas sempre pensando que poderia ser mais fácil! No dia seguinte, a médica diz-me que é cancro da mama maligno, com os ditos 3 negativos, não hormonal, com índice de proliferação de 70% (esta última parte diz no documento da biopsia). Tenho só o pior cancro da mama que se pode ter!

Chorei muito, muito mesmo. O que me acalmou foi a amiga que foi comigo, e quando a médica me disse: "isto é para vencer, e tem a partir de agora uma nova família". 

"Isto é para vencer" é a frase que penso todos os dias! A médica garantiu-me que é para vencer, e assim o farei.

A partir daqui foram só exames e análises, uma outra biopsia aos 2 gânglios enormes que eu tenho e que são malignos também.

Entretanto, antes de iniciar o tratamento de quimioterapia, a médica preocupou-se na parte do retirar dos óvulos, para um dia poder ser mãe, pois a quimioterapia vai destruir o que é mau mas também o que é bom no organismo. Estive durante cerca de duas semanas a injetar-me com hormonas para o meu organismo produzir rapidamente óvulos, e depois tirei-os "a sangue frio"; em que foram retirados 14 e congelados 12.

Disse hoje à médica, que depois deste processo muito doloroso, acho que a quimioterapia irá ser fácil para mim!

Este é um tema que abordarei mais minuciosamente aqui, sobre o processo que as mulheres inférteis fazem para conseguir ser mães. Eu em duas semanas fiz o que elas, muitas delas, não conseguem, infelizmente, num mês (o processo é feito durante um mês).

Depois foi a vez da consulta de oncologia, em que a Dra. desta especialidade me explicou que nos primeiros 3 meses farei quimioterapia todas as semanas, e depois serei reavaliada para saber se continuarei a fazer todas as semanas ou se poderá ser de 15 em 15 dias.

Lá para maio, se tudo correr bem, e irá correr, serei novamente avaliada para saber se tenho de continuar com a quimioterapia ou se posso passar à fase de operação, em que me irão ser retiradas as duas mamas. Depois, possivelmente, ainda continuarei com tratamentos; mas isto a seu tempo.

Amanhã farei a segunda sessão de quimioterapia, e espero que os efeitos sejam como na primeira; apenas alguma indisposição. Vou tentar manter este pensamento, para que isso aconteça mesmo!

 

Hoje, vi na "SIC" um caso igual ao meu, sendo que no caso da senhora, ela rapidamente fez os exames e iniciou o tratamento, pois tinha conhecimentos nos hospitais (ainda bem para ela). Já eu tive de esperar bem mais tempo, mas não faz mal porque eu irei superar isto!

Como é óbvio, e como a médica o disse, não ficarei 100% curada, mas o mais importante é vencer. Depois virá a reconstrução...

 

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