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Olhar o Horizonte...

Olhar o Horizonte...

Quero deixar o jornalismo


Olhar o Horizonte...

22.10.18

Sou licenciada em jornalismo, e exerço a profissão de jornalista (tenho carteira profissional). No entanto, a forma como se tem exercido a profissão tem-me desiludido. A pressão política é imensa, e no meu local de trabalho a dobrar porque o dono da rádio é político, e uma colega é igualmente do partido do patrão.

A pressão não tem sido muita, até há uns dias...A autarquia está a construir um estúdio de raiz para a rádio, num edifício por esta instituição cedido.

Pelo que o chefe me disse ao telefone, na passada sexta-feira, a partir de agora é para ir (obrigação) a todos os eventos da autarquia, sejam ou não aos fins de semana! E não há horários definidos de saída do local de trabalho...

Eu tenho cancro, e já o informei disso, e mesmo assim ele queria que eu fosse a um evento no passado sábado, mas um colega acabou por ir por mim, por considerar que agora preciso de descansar. Já o meu chefe, como o aqui disse, que quando eu estiver de baixa, poderei, quando me sentir um pouco melhor, vir até à radio "dar uma perninha; auxiliar as colegas". Não respondi a esta afirmação que achei descabida, pois eu tenho um cancro maligno na mama, que se pode espalhar rapidamente para outras partes do corpo.

Disse-me ele, desde que uma colega e amiga que daqui foi despedida por ter tido cancro no útero, por ter estado 6 meses de baixa (o que achou muito tempo...), eu comecei a demonstrar uma atitude irreverente, mandona, com uma horário das 09:00 às 17:00! No entanto, o meu horário é das 08:00 às 17:00! Sou a pessoa que entra mais cedo da rádio, e por isso saio às 17:00. Estou sozinha na rádio até às 09:30! Nas festividades principais da localidade onde trabalho cheguei a entrar por duas vezes às 09:00 e a sair às 23:45, e 23:00 respetivamente...De 15 em 15 dias há sessões de câmara, e sou sempre eu que vou, e saio quase sempre da localidade às 19:00 horas, quando entro às 08:00! E quantas a quantas vezes Eu trabalhei 7 dias por semana porque ninguém queria vir fazer coordenação para o futebol, chegando a vir de um feneral de um familiar, em que nesse dia nem almocei para poder chegar a horas, e tive de ser "obrigada" a ir trabalhar porque ninguém queria ir e eu o fui obrigada, mesmo tendo um funeral nesse sábado de manhã, tendo ido trabalhar à tarde...Ninguém teve consideração por mim. Ninguém me disse um Obrigada pela quantidade de vezes no meu único dia de folga que vim resolver problemas informáticos, e ninguém se dignou a dizer para descontar as imensas horas extra que eu já acumulei, que davam para tirar meio ano de férias! E eu sou a irreverente! 

E depois há aquele telefone, em que descontroladamente me fala para ir a um evento, que não posso dizer "não posso"; é um "tens de ir!"

E pior, o meu contrato diz "período normal de trabalho de 7 horas diárias, e 35 horas semanais", mas o meu chefe quer ignorar isto porque a rádio se encontra numa situação financeira debilitada, mas quando me fizeram um contrato efetivo já tinha esses problemas, devido a má gerência...Mas eu não sou a culpada disso, nem cá estava, portanto não me podem estar a escravizar; desculpem, mas acho que esta é a palavra indicada!

 

No início, estive vários meses a trabalhar de borla (cerca de 7 meses), e a colega que cá está há vários anos, nunca gostou de mim desde o início, e o confirmou quando eu anunciei que tinha cancro.

O momento por que estou a passar vai ser o ponto de viragem, de que vale mais estar a exercer outra profissão que gosto, e num bom ambiente, do que estar a exercer a profissão para a qual me formei, num ambiente demasiado pesado!

 

E por isso quero deixar o jornalismo após vencer este maldito cancro!

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