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Olhar o Horizonte...

Olhar o Horizonte...

Recordações de infância


Olhar o Horizonte...

18.07.18

Hoje apetece-me retroceder no tempo.

Passei grande parte da minha infância junto dos meus avós maternos; e tenho um carinho muito especial pela minha avó materna, e continuo a nutrir esse carinho. Essa avó benfiquista, que não perdia um jogo do Benfica na televisão (a minha avó faleceu quando eu andava no meu segundo ano de faculdade, vítima dessa doença tão temida, o cancro; o meu avô também morreu de cancro, muito antes da minha avó). 

O meus avós maternos viviam num cabeço, num local isolado, um pouco distante da aldeia onde sou natural. E foi aí, no meio dos animais, em pleno campo, que cresci, e por isso este apego pelo campo e o adorar dos animais.

Vacas, bois, ovelhas, carneiros, galinhas, porcos, pombos, perus, coelhos...Adorava tratar dos animais e andar de trator com o meu tio, quando íamos buscar lenha.

Os meus avós e tio (também faleceu) viviam e trabalhavam neste cabeço, e nos campos em redor, para um feitor. Por isso pude andar várias vezes de trator, pois o meu tio utilizava-o no seu trabalho, e por vezes pedia-o emprestado para ir buscar lenha no inverno. 

Adoro andar de trator :) Se bem que desde essa altura nunca mais andei!

 

Costumávamos ir apanhar bolotas para os porcos, milho para as galinhas (ovos caseiros, tão bons), apanhar cogumelos...

 

Ainda tenho bem guardado o sabor dos morangos biológicos, das ervilhas que tanto adorava comer cruas, e dos restantes legumes que a minha avó cultivava numa horta grande, um pouco longe do cabeço, onde íamos com muita frequência, durante a semana, a pé, pois eles não tinham nenhum meio de transporte a não ser as próprias pernas. Andávamos muitos quilómetros a pé, e por isso eu adorar fazer caminhadas.

Nessa altura os meus pais não tinham carro, levavam-me de motorizada; eu ia no meio deles. O meu pai ainda tem essa moto, uma Macal, salvo erro. Sou de famílias humildes, e tenho um enorme orgulho nisso, pois aprendi, desde muito cedo a desenrascar-me sozinha, e a valorizar o que muitos não valorizam, além de que me fez adorar a simplicidade da Vida!

 

Mas continuando...

Ao pequeno-almoço, gostava muito de comer torradas acompanhadas de leite com Pensal (ainda existe). As torradas eram feitas com o calor das brasas na lareira. Hummmm tão bom.

No verão, costumava tomar banho junto a pequeno jardim, dentro de uma barrica. Como esta ficava ao sol, tomava sempre banho em água morna. :)

 

Lembro-me uma vez de irmos passar a manhã a uma barragem que fica lá próxima, sendo que a pé ainda fica longe. Levá-mos a marmita e as canas de pesca; foi a primeira vez que pesquei, devia ter para aí uns 3 ou 4 anos, mas apenas apanhei um peixe porque os outros conseguiram escapar todos! Confesso que achei a pesca aborrecida, menos estar na barragem a molhar os pés e a brincar com os cães, isso sim foi bastante divertido.

 

No inverno usava galochas, e adorava andar dentro das poças e na lama. Brincadeiras divertidas na altura; hoje já não há nada disto...

 

Foi uma infância diferente, aliás de uma diferença abismal do que agora as crianças têm. Vivi isolada das outras crianças, mas diverti-me muito.

Foi uma infância feliz. :)

 

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